Na
sua acepção espiritual, designa um estado de receptividade
incondicional às energias supraconscientes do próprio ser, ou à
Consciência Única, que é imanente á criação e ao mesmo tempo a
transcende. Esse estado é atingido gradualmente, no decorrer das
etapas da ascese. Significa superar o livre-arbítrio,
conscientizar-se do próprio potencial interno e assumi-lo,
deixando-se conduzir por sua sabedoria intrínseca. É o abandono do
ser ao seu núcleo divino, a rendição do ego ao poder monádico.
Nesse estado, a ansiedade é substituída por uma visão consciente
dos ciclos a serem cumpridos. A entrega sincera abre caminhos; nela
não há acomodação, mas um dinamismo interior, cuja potência
rompe obstáculos ao contato com a luz. A verdadeira entrega brota de
uma premência interna; o individuo necessita tanto dela quanto do
ar que respira. Ela se torna sua vida e não só uma atitude e não
só uma atitude humana ou uma busca. Nessa sintonia, sua aspiração
se intensifica, atrai energias que curam e transmutam a matéria. Ao
viver esse processo, seus corpos poderão apresentar conflitos e,
muitas vezes, males aparentes. Isso faz parte da sua purificação,
pois a medida que a luz das células se expande, remanejamentos
vibratórios realizam-se e elementos impuros são eliminados. Hoje a
Hierarquia contata o homem por intermédio de sua mônada, e não
mais da alma ou da personalidade. É ao polarizar-se no plano
monádico que ele contribui mais amplamente no trabalho da
Hierarquia. Ao conscientizar-se desse fato, sua entrega é
facilitada, pois compreende que a vida real transcorre no mundo das
energias, no limiar da existência imaterial. Então, por meio do
desapego e do serviço prestado no mundo das formas, o individuo
consuma sua oferta ao eu supremo e sabe a que meta se dirigir,
acolhendo as provas com gratidão, firmeza e fé.
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