A S
C E S E.- Deslocamento da consciência para níveis mais elevados,
produzido pela atração da energia superior. Por esse deslocamento,
pouco a pouco são retiradas do ser camadas criadas e enrijecidas ao
longo de sucessivas vidas centradas no interesse pela matéria e na
identificação com ela. No transcurso da ascese, um passo de
fundamental importância é a absorção do ego pela alma. Antes
desse passo, tudo que o individuo recebe do cosmos é dosado, pois
limitada é sua entrega ao mundo interior. Sua essência, cujo alento
é a liberdade de servir sem restrições e conforme a Lei
encontra-se confinada. Mas, ao efetivar esse passo, o individuo
torna-se apto a cumprir as metas do Plano Evolutivo, que é impessoal
e universal; torna-se operário da Grande Obra e não mais um
teórico dela. A ascese é, todavia, continua. Quando o ego é
superado, a consciência polarizada na alma transforma-se em
receptáculo de energias mais potentes, pois deixa de haver risco de
desvios significativos do manancial que lhe é ofertado. Com isso
são dissolvidos os nódulos que impedem o indivíduo de perceber
realidades sutis com clareza e lucidez, bem como de aderir al Plano
Evolutivo sem resistências. O novo surge então a cada instante e o
conduz a descobertas e ampliações genuínas. Seus passos tornam-se
cada vez mais abrangentes e as forças da vaidade, do orgulho e da
soberba já não conseguem usar para realizações pessoais a energia
superior que lhe é concedida, pois não encontram base onde se
apoiarem. Nessa fase, ele progride tanto no mundo externo quanto no
mundo interno. Em etapas anteriores, em que sua consciência se
polarizava no mundo material apenas, a vida anterior não estava
despertada e a energia que lhe chegava era sobretudo canalizada para
o exterior – ele ficava, por isso, so sabor das leis evolutivas
materiais. À medida que os núcleos componentes da personalidade vão
sendo integrados à alma, a vida interior dinamiza-se e a consciência
começa a contatar outras leis superiores, até que se estabiliza no
plano anímico para dali prosseguir se expandindo. A vida interna
passa então a ser, para o individuo, a realidade onde transcorrem os
acontecimentos que impulsionam sua ascensão. A mônada, ao atraí-lo
para níveis mais elevados, já não encontra oposição do ritmo
material e pode,, ela própria voltar-se para O que a rege. O
regente monádico é uma incógnita para a mônada até certo ponto
de ascese, do mesmo modo que a alma é desconhecida para o homem
comum. O estreitamento co contato da mônada com o regente
caracteriza o inicio de formação do corpo de luz e subentende a
canalização da energia da alma para níveis espirituais. Ao
prosseguir sua escalada rumo à morada cósmica, a alma é
transformada pelos raios de luz que recebe da mônada, seu guia. A
alma já tem desenvolvida a energia da atividade inteligente e até
consumar-se o seu encontro com a mônada cósmica, deve desenvolver a
energia do amor-sabedoria e a da vontade-poder, pois para o individuo
tornar-se uma mônada em expressão, essas energias fundamentais
devem estar nele sintetizadas. Desse modo, poderá vir a ser um dia,
espelho indiviso do raio do Regente monádico. A ascese é um
mergulho cada vez mais profundo no relacionamento com o mundo das
energias. No decorrer dela, a consciência deve aprender as leis do
éter, perceber como se criam e se desfazem as formas e estruturas
nos planos materiais sutis que contata. Deve captar o Plano
Evolutivo, desvelar a pureza de seus propósitos. Imbuir-se no amor
por ele e pelo e pelo auxilio que destina aos vários mundos e a seus
habitantes. Deve também crescer em fraterna compaixão ao contatar
os grupos internos, mergulhar nas fontes que os alimentam e, permeada
pela vibração deles, enviar sua luz e sabedoria aos diferentes
universos com os quais se relaciona. A alma que se encontra nessa
etapa da ascese avança despreocupada do próprio caminhar. Tem o
alento da mônada e prossegue sem sequer perceber os fios de luz que
deixa pelo trajeto. Esses fios, suas obras abnegadas, são
recolhidos pelos devas que trabalham com a mônada na tecedura do
corpo de luz, veste que acolhe a energia da alma quando ela amadurece
a ponto de seguir as leis do plano espiritual e sustentar-se nele
com harmonia. O corpo causal, ou corpo da alma, é veículo de
expressão do ser no âmbito planetário, e só em casos especiais
pode penetrar regiões extraterrestres. Já o corpo de luz possui
padrões cósmicos que o tornam capaz de compartilhar da vida
espiritual e de transcender a esfera de vida planetária. Para
ingressar na neutralidade que prevalece nos níveis acima do anímico,
a alma precisa desligar-se de seus envoltórios e deixar-se vestir do
corpo de luz. Esse corpo tem as chaves do relacionamento
extraplanetário e prepara-a para a união com a mônada, que por sua
vez, custodia uma ciência mais profunda da existência. Na etapa da
tecedura do corpo de luz, o ser tem uma visão ampliada a metas
maiores que as cumpridas na Terra; deixa a perspectiva dos ciclos do
planeta e percebe um patamar superior do Plano Evolutivo. Onde uma
engenharia infalível organiza o desenvolvimento dos mundos de modo
que a Grande Obra chegue a termo. Já na etapa em que o individuo
cruza a fronteira do nível monádico, a tarefa do reino humano é
reconhecida com clareza singular. Sua consciência vai-se imbuindo
da realidade de ser esse reino e em si busca levá-lo à mais elevada
expressão. O corpo de luz possibilita vislumbrar arquétipos
superiores do reino humano e o indivíduo pode, uma vez que tenha
esse corpo formado, ser um foco de materialização dos padrões por
eles determinados. Enquanto o ser se polariza no corpo de luz e sua
evolução espiritual está em curso, ele caminha entre a vida
planetária e a cósmica. Só no momento de unificação com a mônada
é que a realidade indivual se torna sideral. Isso não se poderia
dar em a mônada já estar em interação com o regente monádico.
Uma vez unidos, mônada e regente, este pode manifestar-se pelas vias
que ela utilizava, fato análogo ao que ocorre com a alma quando
absorve o ego mas continua a se expressar no mundo exterior. Na
verdade, ego e mônada - cada um em um nível – não deixam de
existir como núcleos de consciência, o que muda são as energias
coordenadoras de sua manifestação, em outras palavras, esses
núcleos deixam de ser soberanos e passam a servir aos outros que lhe
são superiores. A etapa seguinte de ascese é a união das sete
mônadas e dos cinco Principios do regente monádico. Sem essas
ampliações, em que partindo do minúsculo núcleo que é o ego a
consciência chega a abarcar a existência cósmica focalizada pela
mônada , o homem jamais poderia estar diante da evolução
concomitante desses 12 núcleos que são a unidade do ser. Antes de
dar inicio à ascese, pouco consegue perceber do que representa para
o mundo um toque direto do regente monádico, todavia, imenso é o
impulso expansivo que desse toque advém.
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