terça-feira, 31 de julho de 2012

O Ayurveda: “A Ciência da Vida”

O Hinduísmo se baseia em três conhecimentos fundamentais: AYURVEDA, TANTRA e YOGA.



Ayurveda é o nome dado à ciência médica desenvolvida na
Índia há cerca de 5 mil anos, o que faz dele um dos mais antigos sistemas medicinais da humanidade. Ayurveda significa, em sânscrito, Ciência da vida (Veda= ciência ou conhecimento/ Ayur= vida). Acredita-se que esta ciência seja parte constituinte do universo e tenha surgido juntamente com a natureza, portanto, não tenha sido criada nem desenvolvida pelos homens, mas sim aprendida, apreendida, por ser uma verdade universal.
Considera-se hoje Ayurveda tradicional os escritos de Caraka (ayurveda clínico) e Susruta (ayurveda cirurgião), autores que passaram este conhecimento milenar final e primeiramente para o papel.
O Ayurveda continua a ser praticado regularmente na Índia e tem se difundido por todo o mundo como uma técnica respeitada de medicina tradicional. Além do Ayurveda, na Índia aplicam-se sobretudo 5 outros tipos de medicina: a alopatia, a homeopatia (introduzidas pelos ingleses), a medicina dos sidhas (do sul da Índia, que busca a imortalidade), medicina onani (dos muçulmanos) e a naturopatia. Desta forma, devemos estar atentos ao que se define ayurveda e a outras formas de terapias e , sobretudo, massagens , praticadas na Índia.
O Ayurveda propõe que o homem é um universo dentro de si mesmo (microcosmo) composto de corpo, mente e espírito, inserido dentro do macrocosmo, interagindo com este a todo o momento. Seu estado de saúde reflete a harmonia dinâmica entre estes três fatores. Representando a simples e prática ciência da vida. É, portanto, um sistema aplicável universalmente a todos que buscam paz e harmonia interiores.
Na medicina ocidental, os órgãos do corpo humano têm diferentes funções e podem ser consideradas pequenas engrenagens de uma máquina. Quando um órgão apresenta deficiência no seu funcionamento, o tratamento restringe-se a cura dele próprio. Apresenta-se uma visão reducionista da doença. Já na medicina ayurvedica, componente de um sistema holístico de cura e prevenção, todos os órgãos são parte de um todo. Considera-se o individuo como um ser integral, um microcosmo e que, portanto não deve ser reduzido as partes que o compõe, nem separado dos seus ambientes social, cultural e espiritual, ou da sua ligação com o macrocosmos.
- Um indivíduo é considerado uma unidade indivisível, um ser íntegro que não pode ser separado de seu ambiente social, cultural, espiritual e da sua ligação cósmica.
- Uma doença é conseqüência de uma desarmonia dentro de uma ordem cósmica. Não limitada pelo tempo e espaço.
- O mau funcionamento de algum ou alguns órgãos, é compreendido e tratado no contexto ambiental social, espiritual e cultural, considerando integrais corpo, mente e espírito.
- O universo é um todo perfeitamente organizado, onde nada acontece sem razão ou de maneira casual e tudo se move em direção de um objetivo definido. Não é uma combinação sem sentido, sendo a separação dos componentes químicos que ocorrem por acaso que causa a doença.
- A matéria é interligada, interconectada e dinâmica. Encontra-se em constante mutação, sendo a sua transformação que denota o tempo, este eterno.
A abordagem ayurvédica objetiva, em primeiro lugar, preservar e promover a saúde das pessoas através da adoção de uma rotina diária, respeitando a constituição individual de cada um. Esta rotina implica na incorporação de novos hábitos, de maneira consciente, em diversos âmbitos de nossa vida, como a alimentação (sobretudo vegetariana), a qualidade do sono, e a sexualidade, que são considerados os três pilares da boa saúde.
O Ayurveda assim, busca curar doenças, trabalhando na promoção da saúde do corpo como um todo. Esta medicina indiana lida com o indivíduo doente, e não com a doença em si, ou seja, busca curar a causa, e não o sintoma.
A aproximação com o indivíduo doente pode ser feita através dos oito ramos principais:
1. Medicina Interna (Clínica Geral)
2. Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia
3. Psiquiatria e Psicologia
4. Doenças da Cabeça e Pescoço
5. Cirurgia Geral
6. Toxicologia
7. Ciência do Rejuvenescimento
8. Ciência dos Afrodisíacos

As ciências do rejuvenescimento e dos afrodisíacos lidam com pessoas saudáveis, enquanto os outros seis ramos lidam com a pessoa doente. Pessoas desejosas de vida longa deveriam seguir os ensinamentos do Ayurveda, o que levaria à realização de quatro importantes objetivos de vida: riqueza, prazer, auto-realização e evolução espiritual.

Mais do que preservar a saúde e curar todo tipo de males, o Ayurveda propõe a transformação das pessoas porque estimula uma nova atitude mental em relação à vida: aprende-se a meditar, comer e dormir melhor, a treinar a mente para extravasar emoções tóxicas e a ter consciência de seu corpo, do espaço que ele ocupa e o propósito de sua existência neste momento. Esta transformação é possível através auto-conhecimento num movimento de auto-cura, que pode ser praticado por qualquer pessoa.
A medicina Ayurvédica é parte da ciência védica e utiliza na sua abordagem terapêutica plantas medicinais, dieta, exercícios físicos, meditação, yoga, astrologia hindu, massagem, aromaterapia, gemoterapia (tratamento com metais e gemas), cirurgia e psicologia. O Ayurveda reconhece os tipos individuais e nos ajuda a entender nossas particularidades, nossas tendências.
Além de técnicas curativas como massagens e medicamentos fitoterápicos, o tratamento ayurvédico baseia-se muito na alimentação. Mas o grande segredo deste conhecimento milenar é que todo o tratamento é indicado a partir da determinação do princípio metabólico que liga a mente e o corpo do paciente, que os indianos chamam de dosha.

Desta forma, a natureza da pessoa determina o que ela irá precisar para se equilibrar e curar-se da doença, fazendo com que o tratamento seja absolutamente individualizado. Pessoas de diferentes constituições reagem de maneira diferente em relação à vida, logo terão diferentes reações a um determinado tipo de tratamento - assim, o primeiro passo é descobrir qual é a sua natureza. Dado o diagnóstico geral do indivíduo, o médico irá orientar o tratamento que visa equilibrar o paciente, considerando seu biótipo. Acredita-se que a doença surge quando um de seus princípios metabólicos (doshas) da pessoa está exacerbado ou minimizado. nomeia-se o mal como “distúrbio de vata” “distúrbio de pitta” ou “distúrbio de kapha”.
Considera-se saudável a pessoa que possui equilíbrio entre mente, corpo e espírito, equilíbrio entre os doshas (vata, pitta e kapha), princípios universais responsáveis pelo bom e pelo mal funcionamento dos diferentes órgãos do corpo, que tem uma boa digestão, bons elementos estruturais do corpo e uma regular excreção dos produtos (toxinas) de seu metabolismo.
A doença, para a Ayurveda, é muito mais que a manifestação de sintomas desagradáveis ou perigosos à manutenção da vida. A Ayurveda, como ciência integral, considera que a doença inicia-se muito antes de chegar à fase em que ela finalmente pode ser percebida. Assim, pequenos desequilíbrios tendem a aumentar com o passar do tempo, se não forem corrigidos, originando a enfermidade muito antes de podermos percebê-la.

Os cinco elementos e os doshas
A Ayurveda baseia-se no sistema filosófico samkhya nos cinco elementos que formam toda a manifestação material do universo.
São eles éter, ar, fogo, água e terra. Toda a matéria que existe no universo provém destes 5 elementos, inclusive o corpo humano (que além da matéria, também é formado por buddhi - discernimento, ahamkara - ego e manas - mente). De acordo com o Ayurveda, quando algum dos 5 elementos está em desequilíbrio no corpo do indivíduo, inicia-se o processo da doença.
Segundo essa tradição, os seres humanos são influenciados pelos 5 elementos através do dosha. O Homem apresenta três modelos constitutivos básicos, expressões condensadas dos Cinco Elementos fundamentais. Estes modelos são princípios básicos ou humores conhecidos como - Kapha, Pitta e Vata- conceitos únicos do Ayurveda. Os doshas ou tridoshas podem ser definidos como mecanismos que governam nosso fluxo de inteligência e de energia. Vata, regido por ar e éter, Pitta, regido por fogo e água, e Kapha, regido por terra e água. Ou seja, a partir dos elementos Éter e Ar, manifesta-se Vata (vata dosha), representado pelo ar corporal, pelas cavidades. Pitta (pitta dosha) é formado a partir dos elementos Fogo e Água e manifesta-se no organismo como o fogo digestivo. Os elementos Terra e Água resultam na água corporal e formam o kapha dosha.
Assim, existem 7 constituições básicas:
1. vata,
2. pitta,
3. kapha,
4. vata-pitta,
5. pitta-kapha,
6. vata-kapha e
7. vata-pitta-kapha.

As três primeiras (formas puras) e a última (forma totalmente equilibrada) são mais difíceis de se encontrar. Em geral, as pessoas possuem 2 doshas predominantes. Como já mencionado, em todas as células existem os três doshas, em diferentes proporções, porém eles são encontrados predominantemente em certos lugares: o lugar preferencial de Vata é abaixo da região umbilical; o de Pitta é entre as regiões cardíaca e umbilical e o de Kapha é acima da região cardíaca. Mesmo estando predominantemente nas regiões citadas, eles permeiam o corpo todo.

Cada um dos doshas é mais ativo nas diferentes fases da vida do ser humano; Vata predomina após os 60 anos; Pitta entre os 20 e 60 anos, e Kapha predomina do nascimento até os 20 anos.
Os doshas também possuem caráter cíclico, variando as suas proporções relativas, independente da constituição básica do indivíduo: Vata predomina mais à tarde (entre 15 e 19h). Pitta é mais predominante no meio do dia (entre 11 e 15 h) e entre 24 e 2 h. Vata concentra-se principalmente no período entre 6 e 10h da manhã e entre 19 e 23h.
Muitos sujeitos apresentam uma constituição onde se notam, em porcentagem, dois ou três dosha (ex. vata-pitta o pitta-vata), mais raros são os casos onde está presente só um dosha.Os doshas são substâncias sempre presentes no corpo, sendo continuamente renovadas; têm sua quantidade, qualidade e funções definidas. Todos os três doshas estão presentes no ser humano, em cada célula do corpo, desde o momento da concepção; as diferentes constituições são resultantes das percentagens relativas entre vata-pitta-kapha. Todas as pessoas possuem os três doshas, mas em diferentes proporções. No momento da nossa concepção a nossa constituição é definida, isto é, os doshas que estão presentes em maior quantidade no nosso organismo. Ao nascermos, tal proporção está em equilíbrio (prakrti), mas com o tempo e a vida desregrada surge o desequilíbrio em um ou mais desses doshas (vikrti), contribuindo para o surgimento e desenvolvimento de doenças. Assim, quando normais, os doshas desempenham as diferentes funções do corpo e o mantém. Os doshas, porém, têm a tendência de se tornarem anormais, passando por aumentos ou diminuições de sua quantidade, qualidades e funções. Quando se tornam anormais, contaminam sua moradia - os tecidos (dhatus) - e contribuem para o surgimento de doenças.
Quando os dosha são em equilíbrio o de acordo com a constituição, o resultado é uma saúde vibrante com preciosos niveles de energias. Mais quanto este delicado equilíbrio é incomodado, o corpo se torna susceptível ao “stress” exteriores, como os vírus, os bactérias, um trabalho sobrecarregado, uma alimentação incorreta. O desequilíbrio nos dosha é o primeiro sinal que o espírito, a mente, o corpo do sujeito não se encontram numa perfeita coordenação. Uma incorreta alimentação provocará um aumento de agni (foco gástrico) e uma incorreta digestão da comida: todo isto provocará a formação das toxinas (ama). O aumento das toxinas provocará a seguir a doença.

Para o indivíduo ter o corpo saudável é necessário manter seus tecidos saudáveis e isso é possível por meio da alimentação, que deve ser feita de acordo com o estado atual do paciente, ou seja, de acordo com seu dosha predominante e com os desequilíbrios que ele possa apresentar. Os tecidos que formam o corpo humano são formados a partir dos 5 elementos, que consumimos em forma de alimento. Para o Ayurveda, a saúde de uma pessoa é medida pela força de seu agni (fogo digestivo). Um "bom agni" é capaz de extrair dos alimentos ingeridos os nutrientes necessários para formar tecidos fortes; por outro lado, quando o agni está diminuído ou é irregular (menor capacidade digestiva) a nutrição dos tecidos fica mais pobre, comprometendo a saúde e a integridade estrutural do organismo. No ocidente costuma-se dizer: "você é o que você come"; mas pode-se dizer que a medicina indiana vai além: "você é o que você consegue digerir".
O biotipo VATA
As características do Vata são a criatividade, a agitação, a variabilidade na forma, no tamanho, no caráter e na ação. Em geral, o Vata é delgado e tem uma pele fria e seca. Tem um caráter forte, é entusiasta, imaginativo, impulsivo, tem muitas idéias, mais frequentemente o Vata é inconclusivo. O Vata come e dorme numa maneira muito nômade e tem predisposição a ansiedade, a insônia, aos incômodos, a dismenorréia e a constipação; a sua energia está presente em maneira irregular, por isso a existência do Vata é muito variável

O biotipo PITTA

O Pitta é relativamente muito previsível, tem uma média estatura, força e resistência, é bem proporcionado, com uma pele “avermelhada”. O Pitta tem uma inteligência rápida, articulada, aguda que pode ser também muito crítica ou “passional”, com breves e explosivos momentos de raiva. O Pitta come e dorme de uma maneira regular, ama o sol mais não pode aturar o calor e sofre de incômodos a nível gastroduodenal.

O biotipo KAPHA

Uma característica fundamental do
Kapha é o relaxamento. O Kapha é sólido, pesado, forte, com uma digestão lenta, cabelos bastante oleosos, pele fria e pálida. São muito lentos no digerir, no comer e no agir, dormem muito tempo e profundamente, tendem a procrastinar e a ser obstinados. Têm predisposição a altos níveis de colesterol, a obesidade, as alergias.

Segundo a Medicina Ayurvédica, a alimentação deve ser feita de acordo com a constituição individual (Prakryti). Superficialmente pode-se colocar que para um sujeito Vata será adequada uma comida doce, áspera e salgada, para um Pitta uma comida doce, amarga, apertante, no cambio os sujeitos Kapha deveriam escolher uma comida com sabor amargo, picante e apertante.

Diagnósticos

O médico ayurvédico inicia uma consulta com uma série de perguntas, que tração a história do paciente. Os assuntos fundamentais são: a alimentação – os alimentos que ingere, seu fogo digestivo (a maior parte das doenças internas se dá pelo mal funcionamento do tubo digestivo), o apetite - , e a rotina diária do paciente – seus hábitos de sono, regularidade ou não ao despertar, ao alimentar-se, e ao dormir, entre outras.

O exame físico compreende os âmbitos: visual (de observação do paciente), de apalpação, a pulsologia, o exame da língua e a asculta. O médico dá particular atenção ao pulso, a língua, a face, aos olhos e ás unhas.

Através, por exemplo do pulso radial vata, pitta e kapha, com seis diferentes pulsações pelo braço, três profundas e três superficiais, é possível estudar a força, a vitalidade e o tom normal da fisiologia dos órgãos específicos. A observação da superfície da língua e das diferentes colorações de zonas particulares pode levantar informações a respeito do estado funcional dos órgãos internos.

Tratamentos

A Medicina Ayurvédica, depois de haver compreendido e diagnosticado os incômodos dos desequilíbrios do corpo, tem como primeiro objetivo a recuperação da saúde do indivíduo. Indica-se primeiramente uma dieta ao paciente, que inclui a indicação de um elemento essencial ao acordar, que acalma o fogo digestivo, para cada tipo de distúrbio:Vatta – óleo de gergelim; Pitta – buttermilk (iogurte com água), e Kapha – mel com água morna - além de possíveis remédios de plantas (utiliza-se a fitoterapia), e parte-se para a terapia devida.


São quatro os principais métodos para tratar uma doença do ponto de vista ayurvédico:

1-Shodan (Limpeza e Desintoxicação)
2-Shaman (Acalmamento)
3-Rasayana (Rejuvenescimento)
4-Satvajaya (Higiene Mental e Cura Espiritual)
Shodan (Limpeza e Desintoxicação)

O papel da limpeza na Medicina Ayurvédica é de libertar as toxinas presentes no estômago, no nariz, no intestino, etc. As técnicas de purificação são: o vômito(vaman), o purgante (virechan), o enema (basti), a redução sanguínea (Rakta moksha) e o duche nasal (nasya), que juntos se chamam pancha karma e são frequentemente usadas para eliminar as toxinas em diferentes zonas do corpo. A Medicina Ayurvédica considera as toxinas (ama) como a raiz dos males e o resultado das comidas não assimiladas, indigestas e que tendem a fermentar no aparelho digestório.



Na preparação pela limpeza, a medicina ayurvédica aconselha massagens com óleos de ervas geralmente em forma líquida, que se absorve a través da pele. Uma vez penetrado no sistema, o óleo essencial pode eliminar as toxinas, os vírus, e bactérias, através dos clássicos canais de eliminação. Também o Ghee (manteiga clarificada), e o iogurte diluido são utilizados para normalizar a flora intestinal, sobretudo depois um processo de lavagem.

Shaman
(Acalmamento)

O passo sucessivo na terapêutica da Medicina Ayurvédica é acalmar, o shaman, que se usa para equilibrar e pacificar os Doshas do corpo. O acalmar compreende, sobretudo a dimensão espiritual da cura, e usa uma combinação de ervas, o jejum, o canto o yoga, os exercícios respiratórios, a meditação, o exercício físico e os banhos de sol (por um tempo limitado). Estas técnicas são úteis para as pessoas com disfunções no sistema imunológico, e para os sujeitos que são demasiado doentes a nível emocional e que são demasiado fracos para sustentar qualquer forma de stress físico causado pelo método terapêutico presente no pancha-karma. Para estes aspectos curativos e preventivos, o shaman pode ser usado também em um sujeito são. O médico ayurveda prefere a prevenção mais que a cura da doença.

Outro método do Shaman chama se “brincar com o foco” que é necessário nas desordens Kapha e Vata presentes naqueles sujeitos que têm uma escassa produção de sucos gástricos (isto é que têm um baixo foco gástrico- agni). Os sujeitos consumem mel com algumas ervas como a pimenta de Cayenna, o ginger, a canela, a pimenta preta (este último deveria ser usado com medida pelos sujeitos Pitta).

Rasayana (Rejuvenescimento)

Depois da drenagem, pode começar o programa de tonificação Rasayana. A tonificação aumenta as possibilidades do corpo funcionar melhor. O Rasayana è usado para restituir a virilidade e a vitalidade ao sistema reprodutivo, equilibrando a esterilidade e a infertilidade, e melhorando a saúde dos filhos e os rendimentos sexuais. Além disso, o Rasayana aumenta a longevidade da vida, abrandando os processos de envelhecimento do relógio biológico, e cessando a produção dos radicais livres.

A Medicina Ayurvédica usa três tipos de subcategorias de Rasayana como tratamentos de rejuvenescimento para recuperar o equilíbrio dos tecidos celulares e dos orgãos: ervas especiais são preparadas em comprimidos, pó, pomadas e tabletes; preparações minerais específicas para cada pessoa e para cada dosha; exercícios específicos, posições de yoga e exercícios respiratórios (pranayama).

Satvajaya
(Higiene Mental e Cura Espiritual)

Satvajaya é um método para melhorar a mente e obter elevados níveis funcionais mentais e espirituais. Se obtém através da eliminação do “stress” psicológico, emocionais e o abatimento dos pensamentos negativos.


As categorias de Satvajana incluem os mantras (terapias do som que mudam a freqüência das vibrações da mente); yantra (o concentrar-se sobre formas geométricas para levar a mente fora dos pensamentos ordinários); tantra (usado para dirigir a energia através do corpo); a meditação para aumentar o sentimento de si; gemas, metais e cristais.


Satvajaya dá a possibilidade de enxergar as coisas “frescas”, como através dos olhos de um menino. As técnicas de Satvajaya libertam as emoções negativas que se manifestam através de preconceitos pesados que podem condicionar a nossa vida (como por exemplo comidas indigestas).

Massagens Ayurvédicas

O tratamento Ayurveda completo constitui-se geralmente de 3 fases, de forma que o paciente deve tratar-se por dias (mínimo 7 dias a cada fase) necessariamente consecutivos. A primeira é PURVAKARMA, a segunda é PANCHAKARMA, que constitui a ação principal, e a terceira PASCIAKARMA.


A medicina ayurvédica completa é pouco praticada no ocidente por tornar-se bastante proibitiva, uma vez que suas aplicações e tempos entram em discordância com as formas e ritmos de vida atuais. Desta maneira, no ocidente, muito do que se pode utilizar da medicina Ayurveda sem ofender seus princípios e aplicações são as massagens e terapias com óleos e ervas, que constituiriam o PURVAKARMA.


As massagens terapêuticas do Ayurveda trabalham tanto nos níveis físicos quanto mentais, transmitindo uma energia vital que ajuda a reparar e renovar todos os sistemas do corpo. Proporciona relaxamento, circulação e eliminação de toxinas. Terapeutas ayurveda se concentram nos marmas, pontos de entrada de energia vital no corpo (como os chacras do shiatsu) que responde à manipulação física , e trabalham diferentemente em cada corpo. Os pontos marmas são o encontro dos sete tecidos do corpo “dhatus”, e quando cada ponto e dinamizado durante a massagem, na verdade estamos equilibrando todo o corpo.

  

Nestes tratamentos são usados óleos essenciais de acordo com o tipo dominante da pessoa: Vata (vento) – elementos ar e akasha - óleo de sésamo; Pitta (bile) – fogo e água - óleo de coco, e Kapha (mucos) – água e terra - óleo de mostarda ou oliva. Cada um deles têm áreas específicas de atuação e funções terapêuticas de acordo com como são aplicadas. Assim como as ervas aplicadas nas massagens terapêuticas.

    

As massagens ayurvedicas nutrem os sete componentes do corpo humano, “dhatus”. Ao friccionar, comprimir e pressionar a musculatura, e ao manipular os pontos de pressão, se intensifica a circulação do sangue, da linfa e dos hormônios, que por sua vez, fortalece os sistemas nervoso e imunológico. Preparam o corpo para próximas etapas de tratamento.


Os sete componentes do corpo humano são:

1 - Rasa (fluidos, hormônios, linfa)
2 - Rakta (sangue)
3 - Mansa (carne, músculos e pele)
4 - Medha (gordura)
5 - Asthi (ossos e dentes)
6 - Majja (medula)
7 - Shukra (sêmen)

Métodos de massagens do Ayurveda:

Abhyanga – banho de óleo em todo o corpo realizado de cima para baixo. A técnica produz a nutrição dos sete tecidos do corpo, estimulando a circulação sangüínea e linfática e eliminando as toxinas, através da estimulação dos pontos marmas.

Pizichil ou Ksheera Dhara - banho contínuo a óleo aquecido feito por no mínimo dois terapeutas, de forma simultânea, embebendo um tecido em óleo e espremendo sobre o paciente em movimentos longos. Pode ser feita por 5 terapeutas (o primeiro cuida do óleo, que deve sempre estar morno e os demais aplicam de forma sempre simultânea).

Svedana – método de sudação - o tratamento consiste na imersão do corpo todo em vapor formado por ervas específicas a cada desequilíbrio.
   
Shirodharaé a principal terapia ayurvedica à base de oleo. Derrama-se, com ajuda de instrumentos específicos, um óleo herbal aquecido continuamente sobre a testa/cabeça do paciente, deitado em uma cama específica de madeira, de forma que o fio de óleo seja contínuo. Shiro significa cabeça e Dhara fluxo de óleo. Um fluxo contínuo de uma mistura medicinal morna à base de óleos é vertido sobre a testa.
        
  
Pinda Svedana – o corpo é massageado com o uso dos Quiris (embrulhos de ervas no tecido) que, embebidos em óleo aquecido. O terapeuta massageia o corpo.
 
Udavarthana terapia a quarto mãos, que massageiam o paciente sincronizadamente com pasta de ervas, de baixo para cima.
 

Em nossa novela provavelmente devamos nos manter nestas situações de massagens, a serem oferecidas em nossa clínica de estética, a menos que tenhamos a oportunidade de demonstrar o tratamento completo da medicina Ayurveda caso tenhamos algum personagem se tratando continuamente.

Outras massagens indianas que não se incluem no ayurveda mas podem ser sincréticas a elas:
SHAVUTTI – massagem feita com os pés, pernas braços e corpo do terapeuta, muito comum inclusive nas ruas da Índia, que tem origem na luta marcial indiana KALARIPAIK.    
PEDRAS QUENTES –
Rejuvenescimento Facial Ayurveda - estético

Na Face, Beleza e saúde!

A massagem ayurveda facial não é apenas uma técnica voltada para a estética facial, mas principalmente visa saúde e relaxamento do corpo.
Na ayurveda facial, além de massagem profunda na face, realiza-se a dinamização dos marmas situados em todo o rosto. Os pontos marmas são os encontros dos sete tecidos do corpo, segundo a filosofia Ayurveda, que se denomina em sânscrito (dhatus) e são: linfa, sangue, músculo, gordura, ossos, medula e o sêmen (tecidos reprodutores). Em todo o nosso corpo seja físico, emocional, mental ou espiritual, existem toxinas, que poluem principalmente nossa face, mostrando toda a carga tóxica que habita em nós. A ayurveda facial é muito eficaz na eliminação dessas toxinas, suavizando a nossa aparência quando principalmente acionamos os pontos marmas.
Marcas de expressões acentuadas, principalmente na testa, glabela (terceiro olho) fechado, identificando tensões e ou preocupações, expressão de tristeza, manchas, sinusites, acne, podem ser amenizadas com ayurveda facial. A massagem ayurveda facial, como todo trabalho ayurveda, é um tratamento fundamentado nos doshas.
- Pessoas que tem como dosha predominante o VATA, normalmente tem pele seca, áspera e ou rachada.
- Pessoas que tem com dosha predominante o PITTA, normalmente tem pele com verrugas ou sardas, suave, morna, mas facilmente irritável, alem de oleosas.
- Pessoas que tem como dosha predominante o KAPHA, normalmente tem a pele suave, mas muito oleosa, úmida e fria.
O resultado final da massagem ayurveda facial, independente do dosha predominante, torna a pele, sedosa, lustrosa, normaliza a temperatura e principalmente expressa saúde e relaxamento.
Pessoas que experienciam tratamento com ayurveda facial normalmente mostram-se mais expressivas, mais suaves e mais bonitas, devido à eliminação da tensão expressada de diversas formas. E a ayurveda facial é um trabalho simples, indolor, extremamente relaxante.
OUTRAS MASSAGENS INDIANAS QUE NÃO SE INCLUEM NO AYURVEDA MAS PODEM SER SINCRÉTICAS A ELAS:
SHAVUTTI – massagem feita com os pés, pernas braços e corpo do terapeuta, muito comum inclusive nas ruas da Índia, que tem origem na luta marcial indiana

www.ayurveda.com.br

domingo, 29 de julho de 2012

Swami Sivananda

  
Guru Sri Swami Sivananda, reconhecido mundialmente como um dos maiores Gurus da Índia.

Swami Sivananda foi um grande sábio e um mestre iluminado que criou
Divine Life Society é uma organização sem fins lucrativos fundada em 1936 para a divulgação das verdadeiras técnicas de yoga e filosofia vedanta por todo o mundo. Sua sede mundial está situada na cidade de Rishikesh, no Himalaia, Índia.  
 Guru Sri Swami Sivananda
O Sivananda Ashram, na cidade de Rishikesh, é um grande centro de treinamento e desenvolvimento espiritual na Índia, onde são oferecidas inúmeras atividades gratuitas seguindo o sistema da autêntica yoga milenar indiana.
Divine Life Society IndiaHoje em dia existem filiais da Organização Divine life Society espalhadas por todo o mundo divulgando os ensinamentos de Sri Swami Sivananda.

Procure contato com uma filial oficialmente ligada a Organização Divine Life Society

As 3 Gunas da Natureza


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In the philosophy of Yoga, all matter in the universe arises from the fundamental substrate called Prakriti. Na filosofia do Yoga, toda a matéria no universo surge a partir do substrato fundamental chamada Prakriti. From this ethereal Prakriti the three primary gunas (qualities) emerge creating the essential aspects of all nature—energy, matter and consciousness. A partir deste Prakriti etérea dos três gunas (qualidades primárias) surgem criando os aspectos essenciais de toda a natureza-matéria, energia e consciência. These three gunas are tamas (darkness), rajas (activity), and sattva (beingness). Estes três gunas são tamas (trevas), rajas (atividade) e sattva (beingness). All three gunas are always present in all beings and objects surrounding us but vary in their relative amounts. Todos os três gunas estão sempre presentes em todos os seres e objetos que nos cercam, mas variam nas suas quantidades relativas. We humans have the unique ability to consciously alter the levels of the gunas in our bodies and minds. Nós seres humanos temos a capacidade única de conscientemente alterar os níveis dos gunas em nossos corpos e mentes. The gunas cannot be separated or removed in oneself, but can be consciously acted upon to encourage their increase or decrease. Os gunas não podem ser separados ou retirados em si mesmo, mas pode ser conscientemente posta em prática para incentivar o seu aumento ou diminuição. A guna can be increased or decreased through the interaction and influence of external objects, lifestyle practices and thoughts. Um guna pode ser aumentada ou diminuída através da interação e influência dos objetos externos, práticas de estilo de vida e pensamentos.
Tamas is a state of darkness, inertia, inactivity and materiality. Tamas é um estado de escuridão, inércia, sedentarismo e materialidade. Tamas manifests from ignorance and deludes all beings from their spiritual truths. Tamas manifesta da ignorância e ilude todos os seres a partir de suas verdades espirituais. To reduce tamas avoid tamasic foods, over sleeping, over eating, inactivity, passivity and fearful situations. Para reduzir tamas evitar alimentos tamásicas, mais sono, mais de comer, inatividade, passividade e situações de medo. Tamasic foods include heavy meats, and foods that are spoiled, chemically treated, processed or refined. Os alimentos tamásicos incluem carnes pesadas, e os alimentos que são estragados, quimicamente tratados, processados ​​ou refinados.
Rajas is a state of energy, action, change and movement. Rajas é um estado de energia, ação, mudança e movimento. The nature of rajas is of attraction, longing and attachment and rajas strongly binds us to the fruits of our work. A natureza de rajas é de desejo, atração e fixação e rajas fortemente nos liga aos frutos do nosso trabalho. To reduce rajas avoid rajasic foods, over exercising, over work, loud music, excessive thinking and consuming excessive material goods. Para reduzir rajas evitar alimentos rajásico, ao longo do exercício, sobre a música de trabalho, alto, pensamento excessivo e consumir bens materiais excessivos. Rajasic foods include fried foods, spicy foods, and stimulants. Os alimentos rajásicos incluir alimentos fritos, alimentos picantes e estimulantes.
Sattva is a state of harmony, balance, joy and intelligence. Sattva é um estado de harmonia, alegria, equilíbrio e inteligência. Sattva is the guna that yogi/nis achive towards as it reduces rajas and tamas and thus makes liberation possible. Sattva é o guna que yogi / nis para achive uma vez que reduz rajas e tamas e assim torna possível a libertação. To increase sattva reduce both rajas and tamas, eat sattvic foods and enjoy activities and environments that produce joy and positive thoughts. Para aumentar sattva reduzir os rajas e tamas, comer alimentos sáttvicos e desfrutar de atividades e ambientes que produzem alegria e pensamentos positivos. Sattvic foods include whole grains and legumes and fresh fruits and vegetables that grow above the ground. Alimentos sáttvicos incluem grãos integrais e legumes e frutas frescas e vegetais que crescem acima do solo. All of the yogic practices were developed to create sattva in the mind and body. Todas as práticas de yoga foram desenvolvidos para criar sattva na mente e no corpo. Thus, practicing yoga and leading a yogic lifestyle strongly cultivates sattva. Assim, praticar yoga e levando uma vida yogue fortemente cultiva sattva.
The mind's psychological qualities are highly unstable and can quickly fluxuate between the different gunas. Qualidades psicológicas da mente são altamente instáveis ​​e podem rapidamente fluxuate entre os gunas diferentes. The predominate guna of the mind acts as a lens that effects our perceptions and perspective of the world around us. O guna predominante da mente atua como uma lente que afeta nossas percepções e perspectivas do mundo que nos rodeia. Thus, if the mind is in rajas it will experience world events as chaotic, confusing and demanding and it will react to these events in a rajasic way. Assim, se a mente está em rajas irá experimentar eventos mundiais como caótica, confusa e difícil, e reagirá a esses eventos de uma forma rajásico.
All gunas create attachment and thus bind one's self to the ego. Todos os gunas criar apego e, assim, vincular a si mesmo ao ego. “When one rises above the three gunas that originate in the body; one is freed from birth, old age, disease, and death; and attains enlightenment” (Bhagavad Gita 14.20). "Quando alguém se eleva acima dos três gunas que se originam no corpo, e alcança a iluminação, um é liberado a partir do nascimento, velhice, doença e morte" (Bhagavad Gita 14.20). While the yogi/nis goal is to cultivate sattva, his/her ultimate goal is to transcend their misidentification of the self with the gunas and to be unattached to both the good and the bad, the positive and negative qualities of all life. Embora o objetivo yogi / nis é cultivar sattva, a sua / seu objetivo final é transcender a erros de identificação do eu com os gunas e ser desapegado tanto o bom eo mau, as qualidades positivas e negativas de toda a vida.

O fazer e o não-fazer

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A mente é a queda original, a queda do estado de ser. A mente é o pecado original. Estar na mente é estar no mundo; não estar na mente é estar em Deus. A diferença é muita.
A queda tem que ser entendida. Medite sobre três palavras: ser, fazer e ter. Do ser ao ter é a queda, e o fazer é o processo de se ir do ser ao ter. Ser é Deus, ter é o mundo, e fazer é o processo de cair do ser para o ter.
A mente é uma fazedora. A mente constantemente quer estar ocupada. Um grande desejo de permanecer atarefada, isto é a mente. A pessoa não consegue se sentar só; não consegue se sentar em passiva receptividade, nem mesmo por uns poucos momentos. Isto é uma grande tortura para a mente, porque no momento em que você pára de fazer, a mente começa a desaparecer.
Se você for a um mestre Zen e perguntar 'O que vocês fazem aqui? O que estas pessoas, seus seguidores, estão fazendo?' ele dirá, 'Eles estão apenas sentados. Eles não fazem coisa alguma'. (...)
A mente é uma fazedora. Observe sua própria mente e você compreenderá. O que estou dizendo não é uma declaração filosófica, é simplesmente um fato. Não estou propondo nenhuma teoria para você acreditar ou desacreditar, mas alguma coisa que você pode observar em seu próprio ser. E você verá isto, sempre que estiver só, você imediatamente começa a procurar: alguma coisa tem que ser feita, você tem que ir a algum lugar, você tem que ver alguém. Você não consegue estar só. Você não consegue ser um não-fazedor.
Fazer é o processo pelo qual a mente é criada; ela é um fazer condensado. Conseqüentemente, meditação significa um estado de não-fazer. Se você puder sentar silenciosamente, nada fazendo, de repente você estará de volta para casa. De repente você verá a sua face original, a fonte. E esta fonte é satchitanand: verdade, consciência e felicidade, chame isto Deus, ou nirvana, ou o que você quiser.
Do ser ao fazer, e do fazer ao ter, é como a consciência de Adão chega ao mundo. Mover-se de volta, do ter ao fazer, e do fazer ao ser, é o que significa consciência de Cristo. Mas os Sufis têm uma mensagem tremendamente significante para o mundo. Eles dizem que o homem perfeito é aquele que é capaz de se mover do ser ao fazer, ao ter, ao fazer e ao ser, e assim por diante. Quando o círculo está perfeito, então o homem é perfeito.
A pessoa deve ser capaz de fazer. Não estou dizendo que você deve tornar-se incapaz de fazer; isso não tem valor algum, isso simplesmente é impotência. Você deve ser capaz de fazer, mas não deve ficar absorvido nisto. Você não deve ficar envolvido no fazer, não deve ficar possuído por isto; você deve permanecer o senhor da situação.
E não estou dizendo que tudo o que você tem terá que ser abandonado, não estou lhe dizendo para renunciar a tudo o que você possui. Use, mas não seja usado pelo que possui, isso é tudo. Assim nasce o homem perfeito.

Becoming Centered
Osho Neo Tarot
A esse homem perfeito eu chamo sannyasin: ele será ambos, Adão e Cristo. O homem mundano é Adão e, até agora, o homem além do mundano esteve envolvido com a consciência de Cristo. Mas cada qual continua sendo apenas a metade.
O homem precisa tornar-se uma totalidade, um todo. E a minha definição de ser santo nada mais é que ser o todo, a capacidade de estar no mundo e, ainda assim, permanecer acima dele, além dele; a capacidade de usar a mente e, ainda assim, permanecer centrado em seu ser. A mente é um mecanismo de imenso valor; não é um pecado ter uma bela mente. Você tem um belo instrumento de imensa complexidade, e é um prazer usá-lo, da mesma maneira que é um prazer dirigir um belo carro que tenha um mecanismo perfeito.
Nada existe como a mente, se você conseguir usá-la. Então, a mente também é divina. Mas se você for usado por ela, e se o seu céu ficar perdido nas nuvens da mente, então, você permanecerá na miséria, na ignorância.
O advento da mente acontece ao se ficar identificado com os conteúdos da consciência. É preciso apenas uma pequena mudança, um simples passo, e este passo faz a passagem. Este simples passo faz a passagem do mundo para Deus, do externo para o interno, do mundano para o sagrado. E qual é este simples passo? A não-identificação.
Permaneça uma testemunha. Lembre-se sempre de permanecer uma testemunha; saiba perfeitamente bem que, seja o que for que passe pela sua mente, você não é aquilo. Você não é esta coisa chamada mente. Uma vez que você se torna identificado com qualquer coisa da mente, você caiu numa armadilha, numa prisão. Daí, você pode seguir mudando e ajeitando esta coisa repetidas vezes, mas nada acontecerá.
Isso é o que as pessoas seguem fazendo: melhorando a si mesmas, criando um belo caráter, tornando-se mais santos e religiosos; mas a coisa básica ainda não foi feita. Elas estão simplesmente ajeitando as coisas da mente.
Você pode continuar ajeitando os móveis de sua casa; você pode ajeitar da melhor maneira, com mais estética, mas o material continuará sendo o mesmo. O pecador e o chamado santo não são muito diferentes; ambos são diferentes arranjos da mesma mente.
O verdadeiro sábio é aquele que se torna consciente de que ele não é a mente, definitivamente. A idéia de pecado surge e ele permanece indiferente; a idéia de se tornar um santo surge e ele permanece indiferente. Com nada ele se identifica, raiva ou compaixão, ódio ou amor, bom ou ruim. Ele permanece sem julgamento, ele não condena coisa alguma em sua mente. Se você é apenas uma testemunha, qual é o sentido em condenar alguma coisa? E ele não elogia nada em sua mente. Se você é apenas uma testemunha, elogio é simplesmente fútil. Ele permanece tranqüilo, recolhido e centrado. Enquanto a mente continua esbravejando ao seu redor.
Por milhares de anos você tem permanecido identificado com a mente, tem despejado muita energia nela. Ela segue girando e girando, por meses e anos. Mas se você conseguir permanecer um observador silencioso, um observador na colina, então pouco a pouco a energia, o momentum, é perdido e a mente chega a parar.
No dia em que a mente parar, você chegou. A primeira visão do que é Deus e de quem é você acontece imediatamente, porque uma vez que a mente pára, toda a sua energia que tinha permanecido envolvida com ela, é liberada. E essa energia é tremenda, é infinita: ela começa a descer em você. É uma grande bênção, é graça.
Os chamados revolucionários seguem fracassando porque eles continuam tentando dar um jeito nas mesmas coisas da mente. Alguém acredita em Deus e daí aparece um revolucionário que diz, 'Não há Deus algum e eu não acredito em Deus'. Mas ele é tão fanático com suas idéias como as pessoas que acreditam em Deus.
Crente e descrentes, ambos são fanáticos. Uns se apegam ao sim e outros se apegam ao não, mas sim e não, ambos são partes da mente. Você escolhe uma parte e um outro alguém escolhe a outra parte. Um é cristão e o outro é hindu, mas ambos são mentes. Um escolheu a Bíblia e o outro escolheu os Vedas, mas ambos são partes da mente.
Então, quem é realmente religioso? Aquele que não fez escolhas a partir da mente. Você não pode chamá-lo cristão, nem hindu, nem comunista; você não pode chamá-lo teísta nem ateu. Ele simplesmente é. Ele é indefinível. Você não consegue rotulá-lo. Ser é tão vasto que não pode ser rotulado. Nenhuma palavra é adequada o suficiente para descrever o ser. Em tal vastidão, a liberdade; em tal vastidão, a felicidade.
Esta é a verdadeira revolução: pular da mente para o ser. E o processo será o mesmo. Se o fazer é o processo da queda do ser para o ter, então, o não-fazer será o processo de voltar para casa.
Meditação não é algo que você faça; meditação é algo que acontece quando você não está fazendo coisa alguma. Você pode sentar-se, aparentemente imóvel, aparentemente nada fazendo, mas no fundo a mente pode continuar. É assim que acontece nos mosteiros e nas cavernas. Você pode não ter muito o que fazer, mas você pode continuar fazendo algumas poucas coisas repetidas vezes. Você pode seguir repetindo um mantra: isso será o suficiente para a mente. Ela seguirá fazendo o mesmo ato novamente, repetindo a mesma fita cassete por anos, e ela não morrerá.
Três iogues estão sentados numa caverna meditando. Um cavalo se aproxima, olha para dentro e vai embora. Alguns anos se passam e um dos iogues diz 'Um cavalo esteve aqui'.
Mais alguns anos se passam e um outro diz, 'Não, era uma égua'.
Depois de mais alguns anos, o terceiro diz, 'Se for começar uma discussão, eu vou-me embora'.

Nada havia acontecido por muitos anos, quando um cavalo apareceu e deu uma olhada dentro da caverna, mas isto foi o suficiente para mantê-lo ocupado pelos anos seguintes. Isto é o bastante, a mente pode viver, mesmo com essas poucas coisas. É preciso ficar alerta: a questão não é se você está envolvido em muitos trabalhos ou se você está apenas fazendo umas poucas coisas. Esta não é uma questão de quantidade. A questão é de qualidade.
Você pode ser muito rico, você pode ser um rei, ter muitas posses e ter que permanecer envolvido em mil e uma coisas. Daí, você pode renunciar ao reinado e a todas as suas posses, tornar-se um mendigo e viver num barraco. Isto não fará diferença alguma, em absoluto. Para quem está do lado de fora, para os espectadores, parecerá que ocorreu uma grande revolução: o imperador tornou-se um mendigo, ele fez uma grande renúncia. Mas nada aconteceu internamente.
Primeiro você estava envolvido com os afazeres do reinado, agora você está envolvido com os afazeres do pequeno barraco. Apenas a quantidade foi reduzida, mas a qualidade de sua consciência nunca muda com a redução da quantidade. O homem pobre está preocupado com seu carro de boi e o homem rico está preocupado com sua carruagem dourada. Mas a preocupação é a mesma; a preocupação é da mesma qualidade. O homem pobre preocupa-se com a comida do amanhã e o rei preocupa-se com o país vizinho; o objeto da preocupação é diferente, mas o processo da preocupação é o mesmo.
A questão é, como mudar o seu foco, da mente para o ser. O fazer trouxe-o para o mundo, o fazer é a escada que o trouxe para o mundo; o não-fazer será a escada... E o não-fazer não é inatividade. Este ponto tem que ser bem compreendido.
O não-fazer não é inatividade, ele não é inação. A ação está ali, porque ação é vida. Se a ação desaparecer completamente, você estará morto. Mesmo respirar é uma ação; comer, digerir, dormir, tudo são atividades. Viver é estar ativo. Então o que é não-fazer, se não é inatividade? Se você entender o não-fazer como inatividade, você não terá entendido coisa alguma. Daí, a inatividade irá se tornar a sua ocupação. Você estará constantemente ocupado em não fazer isto, não fazer aquilo. O seu processo se tornará negativo, mas ele ainda será um fazer: 'eu não posso fazer isto, eu não posso fazer aquilo'. Agora você está preocupado. A mesma tensão estará ali: 'eu não posso comer isto, eu não posso comer aquilo, eu não posso usar esta roupa, eu não posso usar aquela.' Agora você está se tornando negativo, mas o processo, o ego, ainda está ali; a mente ainda está ali. Ela está ali ao lado, mas é a mesma mente.
O não-fazer é algo que nada tem a ver com ação, mas tem muito a ver com o ego, com a idéia de ego. O fazedor é o ego. É preciso tornar-se um não-fazedor. Aí, Deus é o fazedor e, você relaxa, você não força o rio e não cria agonia para si mesmo ao ir contra a correnteza.
Agonia vem da raiz 'ag'. ' Ag' significa empurrar. Quanto mais você empurra o rio, mais agonia é criada. E enquanto você está empurrando o rio, você está certamente tentando nadar contra a correnteza. Você está indo contra a natureza, contra o Tao, contra Deus.
O não-fazedor é aquele que relaxou com o rio, que está flutuando no rio, fluindo com o rio, aquele que se tornou parte do rio, que não pensa em si separadamente, aquele que não tem um destino individual. Esse é o significado de não-fazer. O destino do todo é o seu destino. 'Para onde o todo estiver indo, eu estou indo também; para qualquer destino ou não-destino. Para onde esta bela existência estiver se movendo, eu sou parte dela. Eu sou uma onda neste grande lago, simplesmente uma pequena onda. Eu não preciso ter um destino individual.'
A partir do destino individual é que surge o medo, a angústia e a agonia. A partir do destino individual, 'eu tenho que fazer algo, eu tenho que ser alguém, eu tenho que atingir algum lugar', que a mente é criada. Fazer significa: 'eu tenho alguma idéia de como eu devo ser, do que eu devo ser'. O não-fazer significa: ' abandonei todas as idéias do meu ser separado da existência'.

Innocence
Osho Neo Tarot
Não-separação é não-fazer. A ação continua, mas ela não é mais a sua ação. Agora ela é natural. Se uma cobra passa por uma trilha, você saiu para uma caminhada matinal e vê a cobra passando, você simplesmente dá um salto para fora do caminho da cobra. Não é que você tenha feito aquilo, a ação aconteceu, mas ela é natural. Você não pensa a respeito dela, você não pondera sobre ela. Você não estava de prontidão para aquela ação; você talvez não tenha cruzado com uma cobra antes em sua vida. Você não treinou para fazer aquilo, aquilo não era uma programação em sua mente. Você simplesmente respondeu. Em forma de uma cobra, ali estava a morte. E você respondeu, imediatamente, instantaneamente. A mente nem chegou ali, porque a mente necessita de tempo para ponderar, para pensar, para contemplar. E não havia tempo, a morte estava tão perto; você simplesmente deu um salto.
Sentado debaixo de uma árvore, depois que a cobra passou, você pode pensar sobre ela, agora você tem tempo suficiente para pensar. Mas naquele momento, naquele exato momento, quando a cobra estava ali à sua frente, você simplesmente agiu, não a partir de sua mente, mas a partir de sua totalidade. Aquilo foi um ato de Deus.
O homem que quer realmente se tornar um não-fazedor, começa agindo como um veículo do divino, do todo. A ação continua, mas o ator desaparece. Este é o significado do não-fazer. Você vive a mesma vida, mas agora você tem uma qualidade totalmente diferente, ela tem um sabor diferente."
OSHO - Unio Mystica - Vol. II - Capítulo 3
tradução: Sw.Bodhi Champak

Por que existe vida?



Osho,
Eu nunca fui capaz de encontrar resposta para uma pergunta.
É uma pergunta estúpida, mas mesmo assim eu queria muito saber a resposta.
Você poderia nos dizer qual é o propósito da criação? Por que a vida existe?
Por que todas as coisas existem? Eu não acredito em acidentes.

"Prem Patrick,
A pergunta é certamente estúpida... Você está absolutamente certo a respeito disso. E a pergunta não é respondível. Qualquer pessoa que respondê-la irá somente criar alguns questionamentos a mais em você. Você não foi capaz de encontrar qualquer resposta porque não existe resposta. A vida é um mistério, por isso essa pergunta não pode ser respondida. Você não pode perguntar o porquê. Se o porquê for respondido, a vida deixa de ser um mistério.
Esse é todo o esforço da ciência: destruir o mistério da vida. E a maneira é encontrar respostas para todos os porquês. E a ciência acredita, naturalmente com arrogância e ignorância, que um dia ela será capaz de responder a todos os porquês. Isso não é possível. Mesmo se nós respondermos a todos os porquês, o último dos porquês permanecerá: por que a vida existe, afinal? Qual o significado da existência? Qual é o propósito de tudo isso? Essa pergunta é a última e ela não pode ser respondida.
Se alguém lhe der uma resposta, ela simplesmente irá criar um novo questionamento. E respostas já têm sido dadas... Algumas pessoas acreditam que Deus criou o mundo porque queria ajudar a humanidade. Agora, que tipo de resposta é essa? Ele criou a humanidade para ajudar a humanidade. Qual era a necessidade de criar? Alguns outros dizem que Deus criou o mundo porque ele estava se sentindo muito solitário. Se Deus estava se sentindo mal muito só, então não existe qualquer possibilidade de alguém se tornar um Buda.
E se Deus de repente começou a se sentir solitário, então o que ele estava fazendo antes de criar o mundo? Por toda a eternidade ele tem estado só... então de repente , num dia, numa manhã, ele ficou enlouquecido, ou o que? De repente ele começou a se sentir solitário depois do almoço. E qual era a necessidade de criar todo o mundo? Apenas uma mulher já teria sido o suficiente!
E agora, como ele está se sentindo hoje? Muito cheio de gente? Gente em demasia pelas ruas? Deve estar planejando destruir o mundo em breve. Sobre que tipo de Deus você está falando? O seu Deus é uma pessoa que pode se sentir solitário?
Todas essas são respostas tolas para perguntas tolas.
Então existem pessoas que dirão: isso é um jogo de Deus, a sua brincadeira. Ele não poderia ter ficado sentado em silêncio? Que espécie de jogo é esse? Adolf Hitler e Mussolini e Joseph Stalin e Mao-Tse-Tung, Gengis Khan, Tamurlaine, Nadir Shah... Brincadeira de Deus? Seis milhões de judeus assassinados por Adolf Hitler, e Deus está brincando com um jogo? Por que ele não vai jogar golfe? ou xadrês? Por que torturar pessoas? Tanta miséria no mundo e esses tolos seguem dizendo que isso é brincadeira de Deus? Crianças que nascem paralíticas, cegas, surdas, mudas... Brincadeira de Deus? Que espécie de Deus é esse? Ou ele não é Deus, ou pelo menos ele não é divino. Ele deve ser muito mau.
Essas perguntas não ajudam. Elas criam mais perguntas. Patrick, o máximo que eu posso dizer é que a vida não tem propósito algum, ela não pode ter qualquer propósito.
Todos os propósitos estão no meio da vida. Sim, um carro tem um propósito: ele pode levá-lo de um lugar ao outro. O alimento tem um propósito: ele pode nutri-lo, ele pode mantê-lo vivo. Uma casa tem um propósito: ela pode lhe dar abrigo quando está chovendo e quando está quente. As roupas têm propósito... Todos os propósitos estão dentro da vida, mas a vida em si mesma não pode ter qualquer propósito porque ela não é um meio para algum fim. Um carro é um meio, a casa é um meio.
A vida não tem qualquer objetivo, a vida não está indo para lugar algum. A vida está simplesmente aqui! Ela nunca foi criada. Esqueça essa idéia de criação. Isso cria muitas perguntas estúpidas na mente. Ela nunca foi criada, ela sempre esteve aqui e ela sempre estará aqui. Com formas diferentes, de maneiras diferentes, a dança continuará. Ela é eterna. Ais dhammo sanantano - assim é a lei última.
Não há qualquer propósito e essa é a beleza da vida. Se houvesse alguns propósitos, então a vida não seria tão bonita, então haveria uma motivação, então ela seria como um negócio, então ela seria muito séria. Olhe para as rosas, para as flores de lótus, para os lírios. Qual o propósito? O lótus de manhã cedo, o sol nascendo, o cuco começando a cantar...Qual o propósito? Isso não é intrinsecamente lindo? Todas as coisas precisam de propósitos fora de si mesmas?
A vida é intrinsecamente linda. Ela não tem qualquer propósito extrínseco. Ela não é propositada. Ela é exatamente como uma canção de um pássaro na escuridão da noite, ou o som da água, ou o som do vento passando através dos pinheiros...
O homem é voltado para objetivos. E porque a sua mente é voltada para objetivos, ela cria perguntas como esta: "Qual o objetivo da vida? Deve haver algum objetivo." Mas se alguém disser, "esse é o objetivo da vida", então você irá perguntar: "Qual o objetivo desse objetivo? Por que nós devemos alcançá-lo? A que propósito ele irá servir?" E se alguma outra pessoa disser "Esse é o objetivo desse objetivo", as mesmas perguntas irão surgir novamente e você vai voltar ao mesmo ponto, ad infinitum.
Você me pergunta: "Você poderia nos dizer qual é o propósito da criação?"
O mundo nunca foi criado. A palavra "criação" não é correta. O mundo sempre esteve aqui, ele é eterno. Não existe criador. Deus não é o criador do mundo. Deus é a própria energia criativa da existência. É mais criatividade do que um criador. Ele não é o poeta, mas sim a poesia; não o dançarino, mas a dança; não a flor, mas a fragrância.
Você me pergunta: "Por que a vida existe?"
Essas perguntas parecem muito filosóficas, e podem torturá-lo muito, mas elas são absurdas. É como perguntar "Qual o sabor da cor verde?" Isso é irrelevante. A cor verde não tem qualquer sabor. Cor e sabor não estão relacionados absolutamente. "Por que a vida existe?" Veja que as palavras "vida" e "existência" significam a mesma coisa. Isso é tautologia. Você está perguntando: "Por que a vida é vida?" Assim fica mais claro para você. Mas quando você pergunta "Por que a vida existe?", as palavras enganam você.
Você está perguntando "Por que a vida é vida?". Você está perguntando "Por que uma rosa é uma rosa?" Você ficaria satisfeito se uma rosa fosse uma margarida? Então você poderia perguntar "Por que uma margarida é uma margarida?" De que maneira você fica mais satisfeito?
Se a vida não existir, você ficará mais satisfeito? Simplesmente imagine você mesmo sem o corpo, sem a mente, um fantasma perguntando "Por que a vida não existe? O que aconteceu com a vida? Por que ela desapareceu?". Essas perguntas sempre irão persistir e perseguir você.
A vida é um mistério. Não existe qualquer porquê, qualquer propósito, qualquer razão. Ela está simplesmente aqui. Aproveite-a ou abandone-a, mas ela está simplesmente aqui. E estando ela aqui, por que não aproveitá-la? Por que desperdiçar seu tempo filosofando? Por que não dançar, cantar, amar e meditar? Por que não se aprofundar mais e mais nessa coisa chamada "vida"? Talvez no centro mais profundo você irá saber a resposta. Mas a resposta vem de uma tal maneira que ela não pode ser expressada. É como um homem mudo que experimenta açúcar. É doce, ele sabe que é doce, mas ele não consegue falar.
Os Budas sabem, mas eles não conseguem dizer. E os idiotas não sabem e seguem falando, seguem dando respostas a você. Os idiotas são muito espertos nesse sentido de encontrar, de fabricar, de manufaturar respostas. Faça qualquer pergunta e eles terão uma resposta para você.
Quando Gautama Buda costumava viajar por este país de um lugar a outro, alguns poucos discípulos iam à frente e anunciavam na cidade: "Buda está chegando, mas por favor não façam aquelas onze perguntas". E uma daquelas onze perguntas era "Por que a vida existe?". Uma outra era "Quem criou o mundo?" Naquelas onze perguntas, toda a filosofia estava contida. Na verdade, se você abandonar aquelas onze perguntas, nada sobra para ser perguntado.
Buda costumava dizer que essas eram perguntas inúteis. Elas não eram respondíveis, não porque ninguém soubesse a resposta. Elas eram irrespondíveis pela própria natureza das coisas.
Um grande filósofo, Maulingaputta, veio até Buda e começou a fazer algumas perguntas... Perguntas após perguntas. Buda ouviu silenciosamente por meia hora. Maulingaputta começou a se sentir um pouco embaraçado porque Buda não estava respondendo, ele estava simplesmente sentado ali, sorrindo, como se nada tivesse acontecido, e ele havia formulado perguntas tão importantes, tão significativas.
Finalmente Buda disse: "Você realmente quer saber a resposta?"
Maulingaputta disse: "Se eu não quisesse, por que eu teria vindo até você? Eu viajei pelo menos mil milhas para vê-lo"..."Por que eu teria vindo de tão longe? Foi um longo sofrimento. Parece que eu estive viajando por toda a minha vida! E você está perguntando se eu realmente quero saber a resposta?"
Buda disse: "Eu estou perguntando de novo: você realmente quer a resposta? Diga sim ou não, porque irá depender muito disso".
Maulingaputta disse "Sim!"
Então Buda disse: "Por dois anos sente-se silenciosamente ao meu lado, não pergunte, não questione, não converse, simplesmente sente-se silenciosamente por dois anos ao meu lado. E após dois anos você poderá perguntar o que você quiser e eu prometo que irei respondê-lo."
Um discípulo, um grande discípulo de Buda, Manjusri, que estava sentado na sombra de uma outra árvore, começou a rir muito alto e começou a rolar pelo chão. Maulingaputta disse: "O que aconteceu com esse homem? Você está falando comigo, você não dirigiu uma simples palavra a ele, ninguém disse nada para ele... Estará ele contando piadas para si mesmo?"
Buda disse: "Vá lá e pergunte a ele".
Ele perguntou a Manjusri. Manjusri disse"Senhor, se você quiser realmente fazer a pergunta, faça-a agora. Essa é a maneira dele enganar as pessoas. Ele me enganou. Eu costumava ser um filósofo tolo, exatamente como você. A resposta dele foi a mesma quando eu cheguei. Você viajou mil milhas e eu havia viajado duas mil milhas."
Manjusri era certamente o maior filósofo, o mais conhecido do país. Ele tinha milhares de discípulos. Quando ele chegou, com ele vieram mil discípulos. Um grande filósofo chegando com seus seguidores.
E Buda disse, "Sente-se silenciosamente por dois anos." E eu me sentei silenciosamente por dois anos, mas então eu não podia fazer uma pergunta sequer. Aqueles dias de silêncio... Devagar, devagar, todas as perguntas foram se desfazendo. E uma coisa eu vou dizer a você: ele manteve sua promessa, ele é um homem de palavra. Após os exatos dois anos, eu tinha me esquecido completamente, eu tinha perdido a noção do tempo, por que quem vai se preocupar em lembrar? Na medida em que o silêncio ficou mais profundo, eu perdi toda a noção de tempo."
"Quando os dois anos se passaram, eu nem estava me dando conta disso. Eu estava curtindo o silêncio e a presença dele. Eu estava bebendo a presença dele. E isso foi tão incrível. Na verdade, no fundo do meu coração eu não queria nunca que aqueles dois anos fossem concluídos, porque uma vez que eles se concluíssem, ele iria dizer: "Agora ceda o lugar para alguma outra pessoa sentar ao meu lado, e você afaste-se um pouco. Agora você já é capaz de estar só, você não precisa tanto de mim. Exatamente como uma mãe afasta a criança quando ela pode comer e digerir por si mesma e não precisa mais se alimentar do peito materno. Assim, Manjusri disse, eu estava esperando que ele se esquecesse de toda essa história a respeito dos dois anos, mas ele se lembrou. Exatamente após os dois anos, ele me disse: "Manjusri, agora você pode formular as suas perguntas". Eu olhei para dentro de mim e não havia nenhuma pergunta, nem ninguém para formular perguntas, era um silêncio total. Eu ri, ele riu, ele deu um tapinha nas minhas costas e disse, "Agora, afaste-se um pouco."
"Assim, Maulingaputta, é por isso que eu comecei a rir, porque agora ele está de novo aplicando o mesmo golpe. E esse pobre Maulingaputta vai se sentar por dois anos silenciosamente e vai se perder para sempre, nunca mais será capaz de formular uma pergunta sequer. Por isso, Maulingaputta, eu insisto: se você quer realmente perguntar, pergunte agora!"
Mas, Buda disse: "Minhas condições têm que ser atendidas."
Então, Patrick, a minha resposta para você é a mesma: atenda às minhas condições, medite, sente-se silenciosamente, simplesmente esteja aqui e todas as perguntas irão desaparecer. Eu não estou interessado em respondê-lo. Eu estou interessado em dissolver as suas perguntas. E quando todas as perguntas desaparecerem, aquele que pergunta também desaparecerá, ele não pode existir sem as perguntas. Quando nenhuma pergunta mais existir, nem aquele que pergunta... quantas bênçãos, quanto êxtase! Neste exato momento, você nem pode imaginar, você nem pode sonhar, você nem pode compreender. Então, todo o mistério da vida se abrirá, mistérios e mais mistérios... e isso não tem fim.


OSHO - The Book of the Books - Discourse n. 10 - 2nd question
(Tradução: Sw. Bodhi Champak)