sábado, 18 de janeiro de 2014

A Busca Espiritual



A senda da evolução é infinita; nela, cada etapa concluída transforma-se na abertura de um novo ciclo. A busca – é  a  assunção consciente dessa senda pelo homem.  É fruto da constante pressão para evoluir, originada no âmago do seu ser. É eterna, pois a cada patamar abdica-se do grau de unificação alcançado para seguir rumo a novas ampliações.  No decorrer da busca, o desenvolvimento da consciência vai sendo confirmado a aprofundado nas provas da vida diária.  Se ocorrem quedas ou desvios, o individuo deve encontrar em seu interior o impulso que o erguerá e o reconduzira.  A luz da alma revela-lhe o verdadeiro trajeto.. A busca é expressão da lei do retorno, que leva todos os seres de volta à Origem. A certa altura da trajetória, busca e buscador fundem-se em uma realidade maior e, então, a busca deixa de existir assim como é compreendida em suas etapas iniciais, permanece um movimento ascensional, unificado, da consciência individual e do cosmos. Apesar de na terra as fases iniciais da busca – que incluem a transição do nível humano para a vida supramental – serem árduas em geral constituírem longo percurso, a evolução ficaria estacada se não forem assumidas. Deve-se ter presente que as dificuldades são superadas quando há abertura dos indivíduos no processo evolutivo.  Os que aderem a essa transição vivem situações que podem ser descritas simbolicamente: é como se, tendo chegado à beira de um rio, tivessem que atravessá-lo. Não podem retroceder, pois o caminho de volta não lhes é mais acessível.  Se hesitam, um forte vento lança-os  às água. Não têm escolha, pois a decisão de ir adiante foi tomada em níveis que transcendem seu livre-arbítrio. Estando no meio das águas, começam a nadar; tem de enfrentar a correnteza, lutar contra ela. Se persistirem, chegam a determinado ponto da travessia onde vêem uma ilha, para a qual se dirigem. Encontram em suas praias um barco com remos que lhes permite prosseguir a jornada em melhores condições. Já não têm que vencer a correnteza diretamente, pois usam os remos para  fazer o barco deslizar sobre as águas; assim, a correnteza continua existindo, mas eles dispõem de melhores recursos para avançar.  Mais adiante, nessa longa travessia, deparam com nova ilha, onde os aguarda um barco a vela; daí por diante, tocados pelo vento, nenhum esforço fazem por si mesmos para tingir a outra borda. Essas imagens simbolizam fases da busca e o relacionamento dos seres despertos com as forças materiais; no inicio estão imersos no caudal dessas forças, ainda que, como os nadadores, tenham a cabeça acima da água, pois já despertaram. Para avançar, porém, precisam vencê-las. Lutam corpo a corpo com elas, e vão adquirindo destreza em seus movimentos,  descobrem como ir adiante sem tantas resistências, até que chegam à ilha – etapa em que os corpos materiais passam a funcionar como um todo coeso. Esse processo de integração não conta apenas com o esforço externo, dá-se pela condução da alma e, assim, a personalidade passa a interagir com o mundo formal sem se envolver de todo com ele. Mas, enquanto se encontrar vinculada às leis naturais, dispõe principalmente dos próprios recursos para progredir.  Na fase seguinte, em que o fogo, a energia da alma predomina, nova cojuntura rege a evolução dos seres. Essa fase é a do barco à vela. O mundo externo permanece com suas leis, mas eles já não estão ao seu sabor e avançam, não apenas com as possibilidades humanas.  Sua consciência está acima do plano onde as lutas ocorrem, embora conviva com esse plano e nele criativamente construa as obras necessárias à revelação da luz interior. Para avançar com menos impedimentos e prestar maior  ajuda ao mundo, precisa ter clara a meta superior escolhida e nela perseverar com fidelidade. Quando se persiste na busca, a compaixão, a fé e a humildade vão aos poucos emergindo no ser, pois a energia de amor impessoal que o impulsiona nessa trajetória origina-se da Fonte de Vida, realidade última que um dia todos alcançarão.

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