terça-feira, 27 de maio de 2014
O LOTUS SECUNDÁRIO DO CORAÇÃO - C.W.Leadbeater - Os Chacras
O segundo lótus, representado imediatamente abaixo do maior, é também uma característica especial deste chakra. Utiliza-se como lugar de meditação com a forma do instrutor ou do aspecto da Divindade que o adorador invoca ou se lhe assinala como objeto de meditação. Aqui o devoto imagina uma ilha de pedras preciosas, com formosas árvores e um altar para adoração segundo o Gheranda Samhita descreve nos seguintes termos:
Que o devoto imagine haver um mar de néctar em seu coração; que no meio deste mar há uma ilha de pedras preciosas, com pó de diamantes e rubis por areia; que por toda parte medram kadambas carregados de flores perfumadas; que junto destas árvores, à maneira de baluarte, há outras em flor, tais como o malati, mallika, jati, kesara, cbampaka, parjada e padma, cuja fragrância se difunde por todos os âmbitos da ilha.
O iogue deve imaginar que em meio deste jardim se ergue uma formosa árvore kalpa com quatro ramos repletos de flores e frutas que simbolizam os quatro Vedas. Zumbem os insetos e canta o cuco. Imagine o iogue junto da árvore uma suntuosa tarina de pedras preciosas e sobre a tarima um riquíssimo trono coalhado de jóias, e que neste trono se senta sua particular Deidade, segundo lhe ensinou o seu instrutor. Que medite de forma apropriada nos ornamentos e veículos desta Deidade.
O adorador imagina esta formosa cena tão vividamente, que se arrouba em seu pensamento e se esquece, entretanto, por completo, do mundo exterior. Contudo, o processo não é estritamente imaginativo, porque é também um meio de se por constantemente em contato com o Mestre.
Assim como as imagens pessoais que o ego forja no mundo celeste são vitalizadas pelos egos das personalidades imaginadas, assim o Mestre enche com Sua presença real a pira e às vezes o instrui.
Interessante exemplo disso nos ofereceu um cavalheiro hindu, que vivia como iogue num povoado da presidência de Madras, e assegurava que era discípulo do Mestre Moria. Ao viajar este pela índia há cerca de quarenta e cinco anos, passou pelo povoado onde vivia aquele indivíduo, o qual, com efeito, chegou a ser seu discípulo, e dizia que não se havia separado de seu Mestre depois da despedida pessoal, porque este lhe aparecia freqüentemente para instruí-lo por meio de um centro de energia residente em seu interior.
Os hindus dão muita importância à necessidade de se ter um instrutor, a quem reverenciam grandemente desde o momento em que o encontram, e repetem sem cessar que é mister considerá-lo como a um deus.
O upanichade Tejobindu diz a esse respeito que "o extremo limite de todos os pensamentos é o Instrutor". Afirmam os hindus que ainda que o discípulo pensasse nas gloriosas qualidades do divino Ser, sua imaginação pousaria nas perfeições do Mestre.
Aqueles dentre nós que conhecem os Mestres se apercebem da verdade de semelhante afirmação, pois seus discípulos acham neles esplêndidas e gloriosas alturas de consciências, mais além de toda expectativa. Não é que considerem o Mestre igual a Deus, senão que o grau de divindade alcançado pelo Mestre supera tudo o que os discípulos suspeitam.
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