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Então, como podem três deuses ser
UM Deus? Vamos usar o filme "The Matrix" como uma comparação grosseira: Brahman
seria o Deus eterno, imutável, infinito e impessoal que está fora da Matrix
(assim como o software das máquinas, que não possuem uma representação física).
O universo que conhecemos (Matrix e tudo o que encontrarmos para além da Matrix,
como Zion) é manifestacão dele. Em Maya (Matrix) Brahman se manifesta
diretamente como Ishvara, que é o Deus personalizado (equivalente a
representação do "Arquiteto"). Ishvara e Brahman são a mesma "pessoa", sendo que
um está fora e o outro dentro de matrix. Ishvara é aquele que domina o universo,
ele é a alma do universo, e possui três formas (Trimurti), a saber: Brahma,
Vishnu e Shiva. Eles não são seres distintos entre si (assim como as réplicas do
"Agente Smith"). São como o vapor, a água e o gelo, a mesma coisa em estados
diferentes. Quando está criando, Deus é Brahma, quando está mantendo a criação
ele é Vishnu, e destruindo ele é Shiva.
É por uma questão de respeito que os Hindus cultuam tantos deuses que são
intermediários entre o Divino (Brahman) e os homens, pois sabem que o Divino não
toma partido nas decisões humanas. O Trimurti é mais respeitado por ser a
criação mais próxima do Divino, daí que são cultuados com reserva e o respeito
de quem se dirige a uma "autoridade". Então o povo hindu prefere se dirigir a
outros deuses de "escalões mais próximos" aos homens, como Ganesha (filho de
Shiva) e outros, para pedir coisas mais mundanas.
O nome original de Shiva nos Vedas é Rudra "o Deus terrível", sendo
depois lhe dado o eufemístico nome de Shiva, "o auspicioso" (assim como
fizeram com as Fúrias gregas, apelidadas de "as graciosas") Shiva significa
Aquele em que tudo repousa, possuindo também o sentido de benigno,
gracioso, amigo, felicidade e variantes. Um nome tão
bonito pra um deus tão terrível? Mas, se você conhecê-lo, verá que ele não é tão
mau assim. Um dos seus nomes é Neelkantha (que significa o de garganta
azul). Sabem por que? Porque tomou um veneno que para salvar a humanidade, e
então sua esposa Parvati apertou a garganta dele com força para que o veneno
ficasse concentrado ali. Sua pele é representada na cor azul, como a de
Krishna, pois significa iluminação ou
santidade.
Muitos confundem
Shiva com mulher, mas o nome é masculino (termina em A, enquanto o das mulheres
terminam em I, na Índia) e ele, na verdade, também é ela. A representação
Ardha-nari - que significa meio mulher - é uma das mais
conhecidas. A outra metade é homem, para simbolizar a unidade do princípio
gerador. Ardha tem três olhos, sendo um no centro da testa. A criação desse olho
se deveu a uma brincadeira da sua esposa Parvati, que fechou os olhos de Ardha
com as mãos, envolvendo assim o universo na escuridão e no caos. Para restaurar
a ordem, Ardha imediatamente fez um terceiro olho. Representa suas três visões
de tempo: passado, presente e futuro. Uma lua crescente, acima do 3º olho, marca
a passagem do tempo em meses, enquanto uma serpente, enrolada no pescoço, marca
a medida em anos (também representa o controle sobre os poderes da natureza, do
ego, e da vida e morte) e vários colares de crânios espalhados pelo corpo
representam a eterna passagem das eras, e a sucessiva extinção e geração de
raças da humanidade.
Ele segura um tri-sula (tridente) numa mão e um tambor (em formato de relógio de areia) chamado Damaru. Do alto da sua cabeça sai o Rio Ganges. Seus olhos ficam semi-abertos (ou um aberto e o outro fechado), sendo isto chamado de Samabhavee mudrá. Significa que sua mente está absorta no seu eu interior, enquanto o corpo está envolvido no mundo exterior.
Ele segura um tri-sula (tridente) numa mão e um tambor (em formato de relógio de areia) chamado Damaru. Do alto da sua cabeça sai o Rio Ganges. Seus olhos ficam semi-abertos (ou um aberto e o outro fechado), sendo isto chamado de Samabhavee mudrá. Significa que sua mente está absorta no seu eu interior, enquanto o corpo está envolvido no mundo exterior.
Foi designado a ele o papel de transformador, seja através da reprodução ou
da destruição/dissolução. No papel de destruidor ele é chamado de Kala
(Preto) e é identificado com o Tempo. Mas, na maioria das vezes, a função
de destruição é realizada por sua esposa, Kali (aquela cheia de braços,
que fica com a língua pra fora).
Kali (que na representação Ardha-Nari de Shiva é conhecida
como Durga ou Parvati) é na verdade a contraparte feminina de Shiva. Certa vez o
Deva do amor (Kama Deva) tentou inflamar Ardha-nari com paixão por
Durga, e então ele, com um simples olhar do 3º olho, reduziu Kama Deva à cinzas.
Com esse mesmo olhar, ele cumpre a tarefa de destruidor universal. Reza a lenda
que ele queimou todo o universo, inclusive Brahma e Vishnu, e passou as cinzas
pelo corpo. Daí que os yogues seguidores de Shiva também costumam espalhar
cinzas pelo corpo para meditar.
No sentido de reprodução, vemos o símbolo de Shiva cultuado pelos hindus
como o Shiva Lingam (falo), esculpido em madeira ou
pedra. Shiva também é considerado o criador do ascetismo e do yoga, além de ser
o deus da dança. O Mahasivaratri é um festival realizado em honra a ele.
Diz-se que nesse dia Shiva fez a Tandava (dança primordial da criação,
preservação e destruição).
O Tandava é repleto de significados herméticos, a saber:
A dança representa o movimento do
universo. O primeiro braço, com a palma à frente, é um mudrá que quer dizer:
"Não vos atemorizeis com a mensagem terrível que vos trago", e logo
abaixo o outro braço traz a mensagem: "Sempre há uma saída". Ao apontar
para o pé levantado, quer dizer: "O homem não deve atender às solicitações
das suas más inclinações, de suas más paixões, dos instintos bestiais, oriundos
da sua natureza animal, inferior, e sim seguir sua natureza superior,
espiritual: deve abster-se do ódio, dos vícios, dos excessos, obter o
autocontrole." Esta é a saída. O braço esquerdo segura um pequeno tambor que
marca o ritmo da dança, e que significa: "Tudo no universo segue um ritmo, e
está sujeito a uma ordem temporal".
Com o outro braço, o que segura as línguas de fogo, Shiva diz:
"Aproxima-se o tempo de destruir o que se construiu, para se completar o
ciclo da criação. Assim como no passado o mundo antigo acabou-se pelas águas de
um dilúvio, agora ele será destruído pelo fogo".
O círculo de fogo por trás da figura indica o Samsara (o ciclo de
reencarnações). A vida surge do calor da paixão, e termina com o fogo da
destruição. Um pé está esmagando uma figura animalesca, que representa a
natureza inferior e animal do homem (ignorância). Seu pé esquerdo erguido
mostra-nos que podemos elevar-nos e atingir salvação.
Segundo a contagem de tempo Hindu, nós estamos vivendo na Kali Yuga
(a Era Negra, ou "das Trevas"). Como ela é a faceta destruidora de Shiva,
vivemos então uma era marcada por destruições, sofrimentos e transformações. A
duração dessas eras (Yugas) se estende por milhares de anos.
Algumas fontes (através de canalizações) atribuem a Shiva (numa encarnação
como mulher) o ensinamento do Reiki para a humanidade, em tempos
imemoriais.
Referências: WILLIAMS Monier Dicionário de
Sânscrito-Inglês. Oxford Univ. Press, London 1951;
Muito obrigado a Line-chan, José Roldão e a Roberto pela colaboração.
Muito obrigado a Line-chan, José Roldão e a Roberto pela colaboração.
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